"[...] por volta do ano 1000, as línguas românicas mais prestigiosas da península ibérica eram o galego, o leonês, o asturiano, o castelhano e o aragonês, todas faladas ao norte, nos Montes Cantábricos ou nos Pirineus. Essas variedades se impuseram a outras línguas vizinhas, que desapareceram, e, em sua expansão para o sul, acabaram por suplantar também o moçárabe, a língua falada pelos cristãos que lá viviam, no território dominado pelos árabes. Os movimentos de Reconquista também consolidaram as monarquias que os comandaram; um dos efeitos disso foi a foramação de estados fortes, cujo centro geográfico foi-se deslocando progressivamente para o sul. No caso específico de Portugal, isso resultou na transferência da capital do Estado português da cidade do Porto para a cidade de Guimarães e depois para Lisboa, e fez com que a base territorial da língua portuguesa se deslocasse do norte para o sul do rio Douro; essa é uma das razões da separação entre o português e o galego: as principais inovações sofridas pelo português, nos séculos seguintes, partiram do sul (Lisboa, Alentejo) e não conseguiram alcançar o extremo norte. Depois de gozar de relativa autonomia, tornando-se inclusive um reino independente, a região da Galiza, que havia sido o primeiro berço do português, acabou sendo incorporada à Espanha no final do século XV."
Ilari, Rodolfo. O português da gente: a língua que estudamos a língua que falamos. São Paulo: Editora Contexto, 2009.
Nenhum comentário:
Postar um comentário